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sábado, 4 de dezembro de 2010

Surto


O grito que sobressai
apesar dos holofotes
apesar da intenção
de ir um pouco além
de começar nem sei por onde...
de falar nem sei por quem...

As vezes se pergunta onde...
onde se compra um sorriso
por que sorriso vende alegria
a quem procura frustração
e quem se nega evitar sorrisos
talvez não tenha coração

Onde estou ninguém me ver
quem eu sou ninguém conhece
e eu evito a intenção
de provocar meu próprio riso
para não destruir a ilusão
de estar no paraíso

Meu dinheiro não compra amor
que é a todos gratuito
mas me é vendido
a preço de muitos judas
eu só compro é sinfonias
mas me parecem todas mudas

Meus gritos são tão distantes
meus sentidos são tão ausentes
enferrujados estão meus dentes
a viagem durou três dias
a morte chegou depressa
mas só levou minhas fantasias

Se eu fosse o primeiro réu
se eu fosse meu advogado
se eu fosse ADÃO no céu
que jogou meu destino fora
eu não seria nem metade
do homem que sou agora

E os sonhos por onde andam?
por onde anda minha vida?
-Minha vida não existe nada...
é uma folha branca de papel...
talvez eu tenha pensado...
Que poetas não merecem o céu

Não me fale de seu ídolo
por que eu sou iconoclasta
não preciso duma imagem
se JESUS CRISTO é todo instante
ave-marias não dobram
meus joelhos protestantes

Onde vim ninguém me viu
onde vou ninguém mais sabe
o instante começa agora
eu sou totalmente errado
as vezes eu me pergunto
por onde eu tenho andado

Libertai os meus ouvidos
da insanidade que me afeta
da loucura que me liberta
porque alegria em mim não existe
os sorrisos que me são servidos
faz de mim uma existência triste

A verdade é que não sou
nem metade do que penso
nem pedaço do que eu minto
isso é tudo e não concordo
talvez um dia eu durma
e deste sonho eu acordo

Em que lugar estou
minha presença não é bem-vinda
eu boto fogo em tudo
eu sei fazer fumaça
se o papa aparecer
verá meu sangue iconoclasta

Os sentimentos que me ferem
no desespero de viver
no duvidar duma noite longa
na esperança de um amigo
encontra em mim sorrisos
mas não encontra em mim abrigo

Meus olhos sinestetas
não ouvem mais poesias
não bebem psicodelias
não são mais nenhum poeta
não movem mais a vida
não atingem nenhuma meta

A Vida só segue Vida
por que a loucura Prevalece
apesar da intenção...
de ir um pouco além...
de começar nem sei por onde...
de Viver nem sei por QUEM.

Diego Lobeu

Um comentário:

Edgar Pereira disse...

Párabens Diego, ficou muito forte... o bom do poeta é conseguir afetar não só seu subconciente como o seu ponto de vista ! ficou ótimo, gostei, meteu sua parte monarquista ao invés de católica, e escreveu o que pensou,
assim como Lobeu falou .